• Victor Benevides

Olimpíadas como atividades extracurriculares

Comecei a participar de Olimpíadas na 6a série, minha primeira aula foi durante o almoço,

logo após minhas aulas regulares, num auditório enorme com quase todos os alunos da

minha série e uma série acima. O tema era matemática, mas tudo que o professor fazia era

jogar. Era um jogo em rodadas, no qual você podia escolher pegar um certo número de

peças do todo de cada vez, aqueles que não poderiam mais jogar, perderiam, uma vez que

tínhamos que tirar pelo menos um a cada rodada. Jogamos várias vezes contra ele e todas

as vezes perdíamos, não apenas perdemos, mas ele era muito rápido e frio em suas

tomadas de decisão. Ele conseguiu comer todo o chocolate que quiz durante o jogo.


Após todos nós desistirmos, ele explicou a teoria por trás do processo de tomada de decisão

e – do que decidi chamar de “algorítmo” um tempo depois – que permitiu a ele terceirizar

sua tomada de decisão. Através desse chocolate, eu entendi o poder dessas idéias.


Mais tarde, na 8a série, eu ganhei minha primeira viagem totalmente paga para estudar em

uma dessas Olimpíadas, lá eu conheci pessoas que conversavam sobre coisas que eu havia

visto apenas nos filmes, sobre estudar fora. Muitas das coisas eram essenciais, ou para abrir

meus olhos para tais oportunidades ou de forma mais tangível, mais tarde, falando sobre

suas universidades, suas vidas e até mesmo ajudando com a preparação para os exames.

Isso me permitiu amadurecer minha visão muito mais cedo e ter a coragem de sair das

escolas padrão que eu geralmente frequentava. Eu mitiguei os riscos que eu imaginava

vendo que era possível e entendendo como poderia ser feito. Mas, mais que isso, eu percebi

que aquela era realmente a proposta educacional que eu buscava, e, depois disso, a partir

da 9a série, eu foquei nesse processo.


Mais que isso, eu pude buscar as coisas que eu realmente desejava, tais como clube de

robótica na minha escola, que era muito importante para o meu CV e para o meu

desenvolvimento pessoal mas que não teria valor para os exames de entrada de uma das

universidades nacionais. Todas essas escolhas, combinadas, me permitiram ser quem sou

hoje e sair do modelo padrão de nosso sistema educacional. No final, você só se sente

confortável fazendo isso após ser bem sucedido em muitas matérias do que antes, embora

eu possa dizer que as Olimpíadas são muito diferentes em sua natureza em relação ao que

tendemos a estudar nas escolas. As escolas podem ser chatas, Olimpíadas nunca são.

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